Como esconder o filho do imperador - Capítulo 185
Astella olhou lentamente ao redor da estufa.
Era uma estufa incrivelmente bonita, tanto que ela ficou mais preocupada do que impressionada.
─ É tão linda… parece muito cara.
Uma estufa feita de joias. Isto era um luxo.
Quando Astella murmurou inexpressivamente, Kaizen perguntou a ela, como se fosse um absurdo.
─ Essa é a sua impressão?
─ É uma admiração sincera. Quanto custou para fazer isso?
Kaizen respondeu em um momento.
─ …Não custou tanto.
Isso parecia dizer que custou muito dinheiro.
─ De qualquer forma, usei os fundos de propriedade da família imperial. Foi assim que aconteceu.
Ele protestou sem rodeios, dizendo que não usou dinheiro que se destinaria ao povo.
Kaizen murmurou insatisfeito, mas Astella percebeu um fato novo com o termo “propriedade imperial”.
─ De jeito nenhum, isso é…
Astella tocou a joia azul que preenchia todas as paredes.
Gemas azuis de cores e concentrações ligeiramente diferentes estavam incrustadas nas paredes como mosaicos.
Astella percebeu tardiamente o que era.
Era o ‘luar azul’, tesouro da família Imperial que era recebido pela Imperatriz do Império.
─ Ai meu Deus, você usou tudo isso aqui? As gemas azuis vinham da mina que pertence à família Imperial.
Por ser uma joia que simbolizava a Imperatriz, era também como um presente dado às sucessivas Imperatrizes quando ficavam noivas ou como presente de casamento.
Não havia muita produção, então só tinham um ou dois aneis ou colares.
─ Pedi para eles rasparem tudo na mina.
Kaizen disse com confiança. Astella ficou surpresa e perguntou.
─ Não sobrou nada?
─ Há algum problema?
No entanto, Kaizen olhou para Astella e sorriu com um sorriso encantador.
─ Você é a única Imperatriz para mim, então é bom que tudo isso seja seu.
Havia profunda emoção nos olhos de Kaizen enquanto ele olhava ao redor da joia azul. Ele acrescentou calmamente.
─ E não teremos mais utilidade para isso.
Kaizen e Astella se casaram duas vezes. Em ambas as ocasiões, ele deu aquela joia a ela.
Isso também significava que os dois não teriam mais que repetir o divórcio e o casamento.
Eles ficariam juntos pelo resto de suas vidas. Eram palavras românticas que aqueceram seu coração.
No entanto, embora Astella simpatizasse profundamente, ela fez uma pergunta extremamente realista.
─ Então, o que acontece com Theor e sua esposa?
─ …
Talvez ele não tivesse pensado nisso até agora. Kaizen ficou em silêncio por um tempo. Então ele respondeu irresponsavelmente.
─ Isso… Theor cuidará disso.
Astella estalou um pouco a língua e achou que deveria passar a joia azul que ela tinha para Theor dar a sua futura noiva.
─ Mas ainda é lindo.
Astella disse com honesta admiração enquanto olhava ao redor do interior da estufa onde a luz do sol se filtrava.
Dessa forma, a estufa ficou realmente linda. Uma joia azul pálida envolvia as flores perfumadas com um brilho sutil.
Ela sentiu como se estivesse dentro de uma joia gigante. Era como apreciar um jardim em uma joia colorida e cheia de flores frescas.
Kaizen perguntou de volta, regozijando-se com a admiração de Astella.
─ Tem certeza?
─ Sim, embora seja desnecessariamente extravagante.
Ao ouvir as palavras de Astella, Kaizen voltou à sua expressão decepcionada. Ela sorriu para seu rosto triste.
─ Mas por que você de repente fez uma estufa?
Não uma sala de chá, nem uma sala de descanso, nem uma sala de estudo, por que uma estufa?
Kaizen desviou o olhar da janela sem responder. A bebê princesa, em seus braços, estendeu a mão enquanto olhava para as flores sob a janela.
─ Guh…
─ Ah, você ainda não pode tocá-lo com as mãos.
Kaizen respondeu calmamente, levantando a mão para evitar que a bebê pegasse uma flor.
─ Ouvi dizer que o Duque construiu uma estufa na mansão dele.
Astella franziu a testa como se não conseguisse entender.
Ela também ouviu dizer que Fritz havia feito para Gretel uma grande estufa em sua mansão como presente de casamento.
Gretel sempre teve que pesquisar ervas, então ter locais para plantar e cultivá-las dentro de casa era bem-vindo.
─ Mas não estou cultivando ervas.
─ Mas eu queria fazer uma nova estufa para você. A estufa que você tem agora é para tomar chá com as damas nobres. Há convidados lá o dia todo.
A estufa do Palácio da Imperatriz era usada como sala de recepção, e parecia mais um salão de chá lindamente decorado do que uma estufa.
Astella decorou o local com flores coloridas e tomava chá com as convidadas. Claro, havia jardineiros e criados que cultivavam as flores.
─ Achei que seria bom se você tivesse um lugar onde pudesse ficar sozinha em silêncio com a princesa. Seria bom cultivar quaisquer ervas ou flores que você queira cultivar neste local.
Por ser o local mais distante do palácio da Imperatriz, pode ser transformado num espaço tranquilo e fora do alcance das pessoas.
Por isso, Kaizen explicou que era um espaço onde Astella podia desfrutar de tranquilidade e ter um hobby.
─ Não tinha necessidade de usar pedras preciosas para fazer isso.
─ …
Kaizen não respondeu e pegou a princesa e se afastou. Astella exalou como se fosse imerecido, mas o propósito não era ruim.
Ter um espaço privado era algo bom.
Porque havia empregadas por todo o Palácio da Imperatriz e os convidados sempre vinham vê-la, então ela estava muito ocupada. Era bom ter um lugar para refrescar a cabeça.
Se fosse uma pequena estufa anexa ao palácio da princesa imperial, ela poderia ficar lá com a bebê.
Ela estava surpresa e grata por Kaizen ter tido esses pensamentos atenciosos. Astella seguiu os dois com esses pensamentos.
A princesa, segurada nos braços de Kaizen, estendeu as mãos enquanto olhava para as flores brancas sob a janela.
─ Pa….Apa…
─ Você acabou de dizer papai?
Kaizen olhou para o bebê com uma cara de surpresa ao ouvir o murmúrio. Astella falou para contradizê-lo.
─ É apenas um balbucio.
─ Não, ela disse papai.
Kaizen não deu ouvidos a Astella e olhou para a bebê com olhos fervorosos.
─ Faça de novo. Diga pai.
A bebê abaixou a cabeça e apenas chupou os dedos.
─ O que você estava dizendo…?
─ Tenho certeza que disse papai…
Astella olhou para ele com pena e balançou a cabeça. A bebê continuou dizendo a mesma coisa desde ontem.
Ela estava ocupada olhando para Hannah e dizendo: “Apa-a-pa-a-pa-a-pa.”
Astella não apontou o fato.
A princesa perdeu o interesse no que Kaizen disse e novamente se aproximou das flores perto da janela. Ela moveu os dedos como se quisesse pegar uma flor imediatamente.
─ Você quer isso? Mas não as flores verdadeiras. Você pode colocar na boca.
Kaizen caminhou até a janela oposta, acalmando o bebê.
─ Eu vou te dar algo mais em vez disso.
Ele abriu uma caixa embaixo da janela. Astella percebeu tardiamente que havia uma caixa ali.
Uma caixa azul com um lindo padrão estava escondida entre os vasos de flores. Era uma caixa grande o suficiente para conter dezenas de livros.
Quando Kaizen abriu a tampa com uma mão, acessórios empilhados nela apareceram.
─ O que é tudo isso?
Astella perguntou com uma voz estranha.
─ É uma coleção para nossa princesa…
─ Você já comprou joias para a princesa? Ela tem apenas três meses.
Kaizen respondeu com uma voz trêmula.
─ Tenho comprado presentes, um por um nos últimos três meses, mas acidentalmente colecionei muitos.
Como ele disse, havia bonequinhas fofas e brinquedinhos entre os pequenos colares, aneis e grampos de cabelo. Joias, bonecas e brinquedos enchiam a caixa.
Isto não era pouca coisa.
Enquanto Astella observava com olhos absurdos, Kaizen pegou um grampo de pérola branca feito no formato de uma pequena flor e colocou na mão da bebê.
Parecia que ele escolheu algo que tivesse a borda arredondada e não houvesse risco de lesão.
A princesa olhou atentamente com sua pequena mão branca segurando o grampo em forma de flor.
Astella também viu o grampo. As pérolas brancas delicadamente trabalhadas estavam rodeadas pela luz fraca do sol da manhã.
─ Combina bem com a cor do cabelo dela.
Astella não poderia dizer a ele que ele estava certo em comprar o grampo e que ele fez um bom trabalho.
Se ela o parabenizasse por tê-lo comprado, era óbvio que a partir de amanhã compraria o dobro ou o triplo das joias para a princesa.
Kaizen olhou para Astella e depois de volta para a bebê.
─ Nossa princesa se parece com você. Tudo lhe cai bem.
‘Você está falando bobagem de novo na frente da bebê.’
Astella tentou refutar suas palavras, mas não disse nada e continuou andando. Ela achava que não deveria permitir que ele fosse tão meloso tanto na frente das crianças.
Felizmente, ela era um bebê de três meses, então não se interessou pelo que os pais diziam e apenas brincava com a flor de pérola nas mãos.
─Gya~Gya~!
─ Você gosta.
Kaizen tornou-se muito bom em lidar com bebês. Foi porque ele tinha muita experiência cuidando de Theor.
Se tivesse sido o Kaizen de antes, teria deixado a princesa tocar as flores. Astella sorriu brilhantemente com o pensamento.
Neste momento, Kaizen parou em frente à janela visível do centro da porta da estufa.
─ Aquele amuleto que eu te dei…
Ele disse, tocando a cortina branca da janela.
─ Eu ia te dar aqui.
Kaizen disse que sentia muito por não ter conseguido realizar aquele momento porque a bebê nasceu muito cedo. Astella riu quando ouviu isso.
─ Então você estava planejando me dar isso.
Como esperado, ele queria dar a ela este lugar antes do parto. Mas a bebê nasceu cedo demais para cumprir o plano.
─ Isto é melhor.
Kaizen voltou sua atenção para a voz de Astella. Ela olhou para ele e para a bebê e continuou falando.
─ Sinto que ganhei um presente com a princesa.
O futuro da bebê que aqui cresceria e brincaria parecia desenhar-se diante de seus olhos. Ao lado dela estariam Theor e seu primo, o bebê de Gretel.
Astella tirou o que tinha nos braços.
─ Então o colocarei aqui, conforme planejado.
Era o amuleto dado por Kaizen. Um amuleto em forma de estrela feito de fio azul.
Kaizen ficou surpreso ao ver o que ela havia retirado.
─ Você sempre leva isso?
─ Não, eu trouxe porque pensei que poderia ter algo a ver com ele quando você disse que ia me mostrar algo.
Astella pendurou um pequeno talismã na janela. A combinação incomum de paredes e janelas com pedras azuis, cortinas brancas penduradas sobre elas e a decoração rudimentar de corda parecia inesperadamente boa.
Kaizen falou como se de repente tivesse vindo à mente quando viu a cortina da janela e o amuleto pendurado nela.
─ Pensei no nome da nossa bebê.
O nome da princesa ainda não havia sido decidido. Isso porque era costume a família imperial decidir o nome e conceder terras ao novo membro que nascia após cerca de três meses.
─ Qual é?
Os olhos de Kaizen se voltaram para Astella e o talismã estava pendurado na parede. Ele disse com um sorriso brincalhão.
─ Estella.
Significava estrela. Princesa Estella. Era um bom nome.
─ Você não pensou nisso antes?
─ Acabei de pensar no momento em que vi isso.
Astella sorriu ao olhar para a bebê que segurava o grampo de flor nas mãos.
─ Esse é um bom nome. Estella.
Astella deu um passo mais perto de Kaizen, que ficou satisfeito. Kaizen, que segurava a bebê, virou-se tardiamente.
Astella agarrou seu ombro com uma das mãos e levantou os calcanhares. Ela então colocou seus lábios suavemente na bochecha de Kaizen.
Ele enrijeceu inexpressivamente enquanto segurava a bebê. Astella caiu na gargalhada ao olhar para Kaizen, parado com um rosto perplexo.
─ Obrigada pelo presente.
A princesa bebê, entre os dois, piscou enquanto olhava para seus pais.
Enquanto Astella sorria e tentava recuar, Kaizen agarrou o seu braço e puxou-a para ele, murmurando baixinho.
─ Estella está assistindo.
Ela realmente queria repreendê-lo, mesmo estando na frente de seu bebê, por fazer um comentário inútil, mas ele a interrompeu antes que ela pudesse dizer isso.
Kaizen segurou o braço de Astella e colocou seus lábios nos dela.
Eles trocaram um beijo doce na estufa, com a bebê entre eles.
* * *
No dia seguinte, a princesa recém-nascida foi oficialmente chamada de “Estella” e recebeu seu território.
Pouco depois, nasceu o novo sucessor do duque de Reston.